segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Estudo sobre o Dilúvio

No Domingo dia 21 de Fevereiro, estudamos na E.B.D., o texto de Gênesis capítulo 6 versos 1-10.
Este texto é o início da narração do relato diluviano descrito por Moisés. No entanto, além de nos informar acerca da causa do dilúvio, o mesmo é tido e interpretado de diversas maneiras causando assim, amplas aplicações.
O texto sobre o dilúvio é bastante extenso, portanto não faremos uma explanação sobre todo o texto que se refere ao evento do dilúvio, queremos refletir apenas sobre os versos 6,8. O termo dilúvio vem do hebraico mabul (lWBM; ). A LXX traduziu como “kataclisma”.
No início do versículo 6 lemos, “Então se arrependeu o Senhor de haver criado o homem na terra...” Aparentemente, parece que Deus se arrependeu de ter criado o homem! Mas será que é isso que o texto quer dizer? Na verdade, Não! Ao estudarmos a Bíblia, percebemos que Deus não se arrepende do que faz, pois Ele é perfeito e tudo que faz é perfeito. Então, como resolver esta questão?
Primeiramente, houve na história bíblica uma tradução que nós chamamos de Septuaginta, foi uma tradução feita pelos judeus da diáspora especificamente os judeus de Alexandria no Egito, do hebraico para o grego, esta tradução também ficou conhecida como Leão XVII. Naquela época, a cultura grega influenciava o pensamento filosófico e teológico das pessoas. Os gregos não aceitavam um Deus que se emociona, que se entristece, que se alegra com as atitudes dos seres humanos, para eles, Deus é neutro. Sendo assim, quando os autores da Septuaginta foram traduzir do hebraico para o grego, eles removeram esses aspectos humanos que eram relacionados a Deus.
Segundo, quando Moisés escreveu o texto por revelação de Deus, ele usou palavras que traduzem sentimentos humanos. Ou seja, ao escrever o texto, ele expressou um sentimento humano para se referir a decisão de Deus de destruir a humanidade. Às vezes, vamos encontrar textos que dizem que Deus ficou irado, que ele se alegra com o seu povo, são aspectos humanos, que os olhos do senhor estão sobre a terra, essas características que são atribuídas a Deus, nós chamamos de “antropomofismo”. Portanto, concluímos que Deus não se arrependeu de haver criado o homem, a melhor tradução seria, “Então se aborreceu o Senhor...”
O versículo 8 começa dizendo: “Mas, Noé achou favor aos olhos do Senhor...” Geralmente quando falamos de Noé, falamos que ele foi salvo do dilúvio porque ele era um homem justo, pregador da justiça, um homem que andava com Deus! No entanto, Noé foi salvo do dilúvio não por essas qualidades, mas tão somente pela graça de Deus. O texto começa dizendo que Noé achou “favor” diante de Deus! Esse termo “favor” é o termo “hen” no hebraico que foi traduzindo no N.T como “charis” que significa “favor imerecido” este termo foi usado pelo apóstolo Paulo na sua carta aos Efésios cap. 2:8 “pela graça sois salvos...” Ou seja, Noé foi salvo pela graça de Deus, não por seus méritos, tanto é que o termo hen no relato de Gênesis aparece num contexto de salvação. O fato de Noé ser um homem de Deus, de ser justo no meio de uma geração corrupta era conseqüência de uma vida com Deus, de um íntimo relacionamento com Deus, por isso Deus se agradava da vida de Noé.
O Que nós podemos aprender com o dilúvio?
Primeiramente, Deus pune! Ele não pode aceitar o pecado, por isso destruiu todos aqueles que não se arrependeram. Pois a terra estava “cheia de violência (v.11). A raiz do termo “cheia” (timale’) aparece também em 1.22 e 28. Deus ordenou o homem a multiplicar-se; o homem multiplicou-se, mas também, multiplicou-se a violência. A palavra hamam é violência, mal, injustiça, sendo mais comumente traduzida como “violência”. “A palavra é, com freqüência, sinônimo de extrema impiedade. Foi um das causas do dilúvio (Gn 6.11,13, onde a palavra é paralela de ‘corrupção’”
Segundo, Deus é misericordioso! Ao mesmo tempo em que Ele pune, Ele recomeça a humanidade a partir da família de Noé, ele ama a sua criação, Ele tem um propósito para ela, Ele não desistiu de mim e nem de você! O dilúvio visa a reconstrução; há uma nova ordem de fecundação, (1.28, cf 9.1). No cap. 1, a terra é povoada pelo homem e pelos animais, no cap.9 é repovoada por esses.
Terceiro, é um Deus de aliança! 3. Aliança, berithi (ytiyrIB. ), 6.18; 9.8-17.
1. Era um pacto unilateral. Somente Deus era o Sujeito que estabelecia as regras a ser seguida, mediante a aliança. Não era um tratado em que duas pessoas sentavam e discutiam sobre como seria tal acordo; antes era um trato em que Deus estabelecia o plano a ser a seguido; cabe ao homem obedecer, somente. O “Berith implica primeiro, e acima de tudo, a noção de imposição, sujeição ou obrigação” . Então, não é um contrato.
2. Era um pacto com implicações amplas. A aliança se estenderia a descendência de Noé, por perpetuas gerações (9.9, 12); estender-se-ia a todos os seres viventes (9.12) ; e seria eterna (9.16).
3. Era um pacto com um sinal (9.13-16). O sinal era o arco nas nuvens. Como instrumento do julgamento divino. Mas além do conceito de julgamento, ele era um sinal visível da graça de Deus. Certo de que no dilúvio vemos o caráter duplo de Deus (justiça e graça), o arco no relato de Gênesis enfatiza o aspecto da bondade de Deus.

Um comentário:

  1. Se arrependimento não é um atributo de Deus, pois é característica de pecador e concordo plenamente. Porque então podemos atribuir a Deus um sentimento de aborrecimento? Será q alguém Onisciente como Deus é, pode carregar consigo um sentimento de aborrecimento? Calma-la, estamos falando de um Deus perfeito, se arrependimento não cabe a Ele, muito menos aborrecimento.
    Certo é que temos a verdade em nossa frente e deixamos de acreditar nela para acreditar em pensamentos de filósofos Gregos que outrora acreditavam em uma grande multidão de deuses.
    Temos que voltar a entender que fomos feitos a imagem e semelhança de Deus e não Deus a imagem e semelhança do homem, portanto se eu ou você temos algum sentimento bom com certeza esse sentimento vem do Senhor.

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